As peculiaridades da prática da Corrida para as mulheres

Adicionada em 15 de novembro de 2010
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O organismo feminino é complexo e totalmente diferente do masculino. Planejar os treinos levando em conta o ciclo menstrual pode significar mais rendimento.

Correr para as mulheres não significa adequar seus compromissos e horários, mas também seus hormônios, afinal a mulher todo mês menstrua. Se isso não for levado em conta na hora de planejar o calendário de provas e treinos, a corredora pode perder performance, mas, se bem planejado pode ate correr mais rápido.

Não estar preparada para esse tipo de situação pode incomodar até atletas de elite. Já houve alguns casos que atletas não conseguiram correr melhor por estarem menstruadas, em entrevista coletiva já chegaram a comentar, “se não fosse um probleminha feminino eu poderia ter alcançado a vencedora da prova, isso atrapalhou meu sprint final”.

Uma das maneiras de evitar esse desconforto e obter melhor desempenho em provas seria adequar o calendário de provas com a tabela do ciclo.

Com a prática de atividade física a mulher está mais propensa a ter um conjunto de sintomas, o que chamamos de Tríade da Mulher Atleta (TMA). Podendo afetar a mulher com alguns sintomas, como fratura por estresse (devido à osteoporose), amenorréia (ausência ou diminuição dos ciclos menstruais) e distúrbios alimentares como a anorexia.

A amenorréia acontece por distúrbios alimentares, que levam a uma diminuição da gordura corporal junto aos níveis de estrógeno, gerando a amenorréia. Essa queda dos níveis de estrógeno gera redução na concentração de cálcio na estrutura óssea, ocorrendo menor densidade óssea e maior predisposição a uma fratura por estresse. Portanto, praticar atividade física é muito importante, mas, sem exageros.

Outra diferença que pode ser notada pelas mulheres é em relação ao calor, pois o organismo feminino reage de forma diferente nessa condição. As mulheres são menores e tem menos massa corporal, com isso a mulher perde mais calor quando expostas ao sol. As mulheres também têm um número maior de glândulas sudoríparas, mas, o volume de suor produzido é menor comparado ao homem, com isso a corredora começa a suar quando a temperatura do corpo está bastante elevada.

Porém, não precisa pensar que as mulheres podem ter hipertermia com mais facilidade se começarem a correr. A mulher usa o mecanismo de circulação para perder calor, isto é, aumenta o fluxo na pela para que o sangue quente vindo dos músculos seja resfriado ao passar pela superfície do corpo, o que deixa a pele rosada. Simplificando, o homem perde calor pelo suor e as mulheres pela circulação.

Para se prevenir do estresse térmico, a corredora deve evitar que o organismo esteja superaquecido antes de se exercitar em um ambiente quente. Deve estar atenta aos sintomas desse superaquecimento (sede, fadiga, letargia). Algumas condições como insônia, hipoglicemia ou consumo de álcool recente também prejudicam a termorregulação.

A melhor maneira de evitar um superaquecimento é aclimatar-se ao calor, dessa forma o organismo desenvolve adaptações fisiológicas, que fazem a mulher tolerar melhor o treino nessa condição. As adaptações fisiológicas são: redução de frequência cardíaca, da temperatura interna e da percepção de esforço. Alguns estudos sugerem fazer treinos de forma intervalada, ao invés de longos, favorece a aclimatação mais rápida. E a aclimatação só é bem feita com uma boa hidratação.