Foto: Rafael von Zuben/BM&FBOVESPAFoto: Foto: Rafael von Zuben/BM&FBOVESPA

Recorde 11 momentos marcantes de Marilson

Adicionada em 25 de agosto de 2016

Não se encontra ainda, na cabeleira de Marilson Gomes dos Santos, um único fio branco. Mas o bicampeão da Maratona de Nova York, tricampeão da São Silvestre e maior nome dos últimos anos entre os corredores de longa distância do Brasil, está oficialmente aposentado das pistas, aos 39 anos de idade. Por ter começado aos 12 anos a correr, tem já 27 anos de experiência e uma infinidade de kms percorridos.

De agora em diante, o brasiliense exercerá a função de coordenador das categorias de base da equipe BM&F Bovespa, uma das principais do país. A pedido da O2 Corre, o recordista sul-americano dos 5.000m e 10.000m (pista), 10 km, 15 km, 20 km, Meia, 25 km e 30 km comentou 11 momentos marcantes de uma carreira que é referência. (O recorde continental da maratona ainda é propriedade de Ronaldo da Costa, que assinalou incríveis 2h06min05 em Berlim/1998, antigo recorde mundial).

1. A primeira prova

“Comecei por farra. Tínhamos no nosso bairro, Expansão do Setor O, em Ceilândia (cidade-satélite de Brasília), um grupo chamado Amigos do Valdenor (o piauiense Valdenor Pereira dos Santos, até hoje recordista sul-americano dos 5 km). Quem me orientava era o Albeno Francisco de Souza. Foi uma prova de 5.000m, em pista. Fiquei em quarto no geral, atrás apenas de três adultos. O resultado foi bom, mas ainda encarava a corrida como brincadeira de criança.”

2. Primeira viagem internacional

“Comecei a achar que viraria corredor, e que a corrida ia ser o meu trabalho, aos 15 anos de idade. Foi importante entrar em delegações, participar de competições no exterior. A primeira lá fora foi uma prova de 3.000m, competição entre estudantes do Cone Sul, em Montevidéu, no Uruguai. “Opa, já tô conhecendo lugares do mundo graças à corrida”, pensei. Isso me motivou. Foi legal também ir ao Mundial Júnior de Sydney (1996). A partir dessa idade, 15 anos, fui morar em Santo André, numa república de atletas (defendia o Sesi de São Caetano). Mas ainda me achava muito parecido com outros atletas da minha idade, num nível parelho com os demais. Ainda não sabia aonde poderia chegar.”

3. Primeiro Sub-30 em 10k

“Nessa época (96), corri pela primeira vez os 10 km num tempo Sub-30, a prova do jornal A Tribuna, em Santos, que fiz em 28min40s. A partir daí, o Adauto Domingues (treinador de Marilson ao longo de quase toda a sua carreira), me disse que eu era um corredor para correr na frente, junto aos líderes.”

4. Fera universitária

“Comecei a ver que era corredor para longas distâncias na Universíade (Olimpíada Universitária). Venci a meia em 97 (Sicília) e em 99 (Mallorca). Nem treinava para Meia, eu me preparava para provas de 10 mil, mas acabei vencendo e aí se revelou uma aptidão. Nessa época passei a ter um agente, o colombiano radicado nos Estados Unidos Felipe Pozo, que me ajudou a entrar nas principais provas do mundo, me abriu as portas.”

5. Vitória na Tribuna

“Premiação boa, percurso plano, bom clima. A prova da Tribuna é boa pra fazer tempo. Todo mundo quer vencer. Em 2003, finalmente consegui, com o tempo de 28min18s. Sempre gostei demais dessa prova, venci mais cinco depois.”

 

 

6. A primeira vitória em São Silvestre

“A vitória surpreendeu os outros, não a mim. Já tinha sido quarto colocado da São Silvestre duas vezes, segundo colocado outras duas. Eu tava indo pras cabeças. Os resultados demonstraram que eu estava evoluindo a cada ano. A dificuldade maior foi lidar com a imprensa. Quem de vez em quando me ligava eram os jornalistas de Brasília. Mas chamar a atenção da imprensa em nível nacional foi difícil. Era muito tímido, nunca gostei de ser o foco principal.”

7. 2004

“Em abril, em Paris, corri minha primeira maratona. Fui sexto em Paris, com 2h12min. Em outubro, em Chicago, melhorei bastante e corri em 2h08min, ótimo resultado.”

8. Primeira vitória em Nova York – 2006

“Eu me lembro como se fosse hoje do meu agente dizendo ao comentarista da TV americana que eu ia ganhar. O cara disse que não era possível, que ia ter o (Paul) Tergat e que eu não ia ganhar dele. Fiquei bem tranquilo. Era uma prova dura, mas acreditei. Durante a prova houve algumas mudanças de ritmo e o Tergat quebrou. Comecei a abrir muito cedo e foi incrível como corri fácil, mesmo fazendo muito frio.”

9. Maratona Olímpica de Pequim – 2008

“Tinha treinado muito bem, mas infelizmente acabei desistindo. Até hoje não sei o que aconteceu. Senti muito. Estava irreconhecível. No 5º, 10º quilômetro já me sentia pesado. Estava totalmente sem energia, num dia em que simplesmente não deveria ter saído de casa.”

10. Segunda vitória em Nova York – 2008

“Quando ganhei pela primeira vez em Nova York, disseram que cheguei lá porque ninguém me conhecia, que ninguém foi atrás quando disparei porque ninguém acreditava que eu fosse ganhar. A segunda vitória foi a minha confirmação. Ganhei de uma forma incontestável, fazendo primeiro a meia em 59 minutos. Ganhei no último quilômetro. Foi a glória, a apoteose da minha carreira.”

11. Maratona Olímpica de Londres- 2012

“Fiquei em quinto (2h11min10), o primeiro entre os não africanos. Na verdade, foi a minha grande chance de medalha olímpica. Embora estivesse voltando de lesão, tendo treinado pouco, fiz tudo o que podia, não deixei de fazer nenhum esforço possível, dei meus 110%. Até paguei caro por ter feito tanta força. A prova me desgastou demais, me castigou num nível que me exigiu muito tempo de recuperação. O desgaste fugiu do meu controle.”