Maratona de Berlim e as dúvidas finais antes do grande dia

Anne Dias
Adicionada em 21 de agosto de 2018

É sempre a mesma coisa. No km 28 eu me arrependo de estar fazendo uma maratona. Uns chamam isso de muro. Eu chamo de arrependimento mesmo, triste e pesado. É ali onde meus pés estão mais inchados, minha cabeça clama para ir embora e eu não aguento mais comer treco doce e tomar água morna.

Para a maratona de Berlim deste ano, estou com duas preocupações que nas outras três das quais participei não tive: meu tênis e o que comer durante a prova.

Nas duas maratonas de Nova York e na de Buenos Aires eu corri pela emoção, fui total coração. Treinei bonitinho, mas não fiquei com nada na cabeça martelando. Nas provas americanas até que deu tudo certo. Mas a argentina, pela madrugada, uma cãibra assassina na planta do pé direito me atormentou do km 16 ao 40. Juro pela Madonna.

Desta vez, porém, quero fazer algumas coisas diferentes. Nos pés estou testando dois tênis: um Nike e outro da 361. Ambos me dão bolhas no mesmo lugar do pé direito. Troquei de meia, sempre bem fininha; coloquei esparadrapo; vaselina. Nada adiantou. Não furo bolha, porque isso vai contra meus princípios.

Os treinos finais irão definir qual será o sortudo que vai atravessar esta aventura comigo. Ao contrário das outras 3 maratonas que fechei, desta vez quero ser mais criteriosa, até porque depois destes 42 km alemães vou dar um rolê por Berlim e na sequência despacho meu corpo para Paris.

Outro ponto que está me matando é o que comer durante a prova. Já tentei gel, bananinha, bisnaguinha com geleia, amendoim, queijo, salgadinhos de todos os tipos. Nada me deu muito ânimo. Mas uma coisa eu descobri: o corpo responde ao açúcar imediatamente – mas esta resposta dura, se muito, 5 km – e o sal demora para dar saciedade, apesar de ser menos enjoativo.

Tudo será acertado nestes últimos 25 dias até a maratona de Berlim. Na pior das hipóteses, vou na minha velha e boa prática: me agarro ao que tiver, sem pensar muito. Porque maratona é tipo casamento. Se você ficar pensando muito, não vai. Nem no da prima, para não ser testemunha. E olha que já casei duas vezes.

 

Anne Dias

Anne Dias

Jornalista com especialização em economia e com nove meia maratonas no currículo: duas W21, Meia Maratona das Pontes (Brasília), Disney, Corpore, São Paulo, Uberlândia, Porto Alegre e duas Golden 4 Asics. Concluiu também duas maratonas: Nova York e Buenos Aires. E não pretende parar.

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